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segunda-feira, 11 de junho de 2012

O olhar de hoje sobre os cult looks de outrora




Texto Andrea Tavares e Sandra de CássiaCom óculos sempre muito redondos, como pedia o espírito da época, em que reinavam o flower power, a psicodelia e o desbunde, a cantora Janis Joplin foi um dos ícones dessa geração que queria mudar o mundo pregando o pacifismo e abrir as portas da percepção – o que era obtido, em geral, por meio do ácido lisérgico, mais conhecido como LSD. Quatro décadas mais tarde, a 20/20 promove um remake do seu look – algo como se a roqueira voltasse à vida, que modelos de hoje combinariam com ela.


Nascida em 19 de janeiro de 1943, em Port Arthur, no Texas, Janis Lynn Joplin definiu o papel da mulher no mundo da música ao se tornar a roqueira por excelência da década de 60, por conta de sua atitude assertiva e de performances eletrizantes no palco.


Muitas de suas questões pessoais e de sua suposta infelicidade na fase adulta foram atribuídas à dificuldade de Janis de corresponder às expectativas de uma comunidade tão conservadora na qual nasceu e foi criada. Desde adolescente, cantava blues e, postumamente, foram divulgadas gravações de sua era pré-rockstar, em que a principal inspiração era a intérprete de blues e jazz Bessie Smith, considerada uma das precursoras do gênero.

Aos 17 anos, saiu de casa para cantar em bares. Com isso, juntou dinheiro para ir à Califórnia, onde se instalou definitivamente em 1966. Entrou para a banda Big brother and the holding company como backing vocal e logo estava à frente do grupo, com quem gravou dois álbuns. Em 1969, já era uma rockstar e partiu para sua própria banda, a The kozmic blues band, rebatizada mais tarde como Full tild boogie band.

Enquanto a carreira decolava, a vida pessoal decaía. Às vezes, escrevia para seus pais, mas se mostrava distante. A vida amorosa era mais obscura ainda; há boatos de que seu verdadeiro amor teria morrido no Vietnã.

Suas únicas companhias fiéis eram as drogas e o álcool, especialmente a heroína.

Em fevereiro de 1970, visitou o Rio de Janeiro. A ideia era dar um tempo da heroína, na época droga de pouca circulação no Brasil. Sua passagem foi, no mínimo, excêntrica: mesmo convidada para assistir ao desfile das escolas de samba, foi barrada por estar mal vestida, foi expulsa do hotel Copacabana Palace por nadar nua na piscina, fez uma rápida apresentação em um bordel e ainda foi presa por praticar topless na praia. Seus anfitriões brasileiros foram o não menos excêntrico roqueiro Serguei e o fotógrafo Ricky Ferreira, o único a ter fotos da sua estadia. Anos depois, Serguei se bacaneava de ter namorado Janis durante sua passagem pelo país – para dúvidas de muitos, aliás.

Em 4 de outubro do mesmo ano, aos 27 anos, foi encontrada morta por overdose de heroína em um hotel de Los Angeles, poucos meses antes do lançamento do seu último álbum, Pearl. Me and Bobby McGee, faixa de Pearl, alcançou o topo nas paradas e até hoje está entre as suas canções de maior sucesso.

Mesmo com uma carreira tão curta, sua discografia é referência até hoje: Big brothers and the holding company (1967), Cheap thrills (1968), I got dem ol’kosmic again mama! (1969) e Pearl (1971).

Obras sobre Janis não faltam. No cinema, A rosa, de 1979, foi interpretada por Bette Midler, o que lhe rendeu uma indicação para o Oscar de melhor atriz, e nos livros, a obra Love, biografia escrita por sua irmã Laura.

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